— Você tem provas?
Eu sustentei o olhar.
— Ainda não. Mas tenho instinto, marcas no braço do seu filho, medo nos olhos da sua filha e um rastreador dentro da mochila dela. Para começar, já é melhor do que a sua cegueira.
A respiração dele pesou.
Por um instante pensei que me mandaria embora.
Em vez disso, Dante disse:
— Fique perto deles esta noite.
— Eu sempre fico.
Eu me virei para sair, mas a voz dele veio baixa, quase áspera:
— Bianca não vai mais tocar em você.
Não olhei para trás.
— Isso já não importa.
Mas importava.
Importava porque eu tinha odiado que doesse.
Importava porque eu tinha odiado ainda mais o fato de uma parte de mim ter esperado que ele me defendesse.
Na madrugada, entendi que já estávamos atrasados.
Acordei com o alarme silencioso do sensor que eu mesma tinha instalado na janela lateral do quarto das crianças.
Quando abri os olhos, a maçaneta já estava girando.
Eu rolei da poltrona antes mesmo da porta se abrir por completo.
O primeiro homem entrou de máscara. O segundo vinha atrás.