— Diz para eles o nome que estava salvo no seu celular como “B”.
Ele não respondeu.
Dante então falou pela primeira vez desde que descera.
— Mostra.
Um policial tirou o aparelho do saco de evidências. Abriu a lista de mensagens. Havia transferências, horários, fotos do trajeto escolar dos gêmeos e uma frase enviada duas noites antes:
“Quero as crianças fora da casa antes do anúncio do casamento. Sem erro dessa vez.”
O salão inteiro congelou.
Bianca perdeu a cor.
Ainda tentou.
— Isso é montagem.
Mas então veio o verdadeiro golpe.
Porque o segundo invasor, o que eu derrubei junto à cômoda, decidiu negociar.
E falou.
Falou sobre o pagamento em parcelas. Falou sobre a ordem para simular um sequestro. Falou sobre o plano de levar as crianças para uma casa fora da cidade até que Dante assinasse uma procuração emergencial dando a Bianca poder sobre os negócios e sobre a tutela temporária, sob pretexto de crise familiar e instabilidade emocional do pai.
Foi tão repulsivo que até alguns dos investidores presentes na noite anterior, que ainda estavam na casa para reuniões do dia seguinte, recuaram como se o ar tivesse apodrecido.
Bianca virou-se para Dante.
— Amor, você sabe que isso não faz sentido. Eles estão mentindo. Essa garota armou tudo!
Dante não se moveu.
Nem piscou.
— Você bateu na mulher que salvou meus filhos na frente da minha casa — ele disse, a voz mortalmente calma. — E agora quer que eu acredite em você.
Bianca tentou tocar o braço dele.
— Dante…
Ele recuou como se ela fosse veneno.
— Eu enterrei a mãe dos meus filhos acreditando que o pior da minha vida já tinha acontecido. Você conseguiu provar que eu estava errado.
Nunca vou esquecer o rosto dela naquele instante.
Algumas pessoas não suportam perder. Outras não suportam ser vistas sem máscara.